Pulau Bali

( Bali )

Bali é uma ilha e província da Indonésia, situada na extremidade ocidental do arquipélago das Pequenas Ilhas da Sonda, entre as ilhas de Java (a oeste) e de Lomboque (a leste). A província, que inclui algumas pequenas ilhas próximas, nomeadamente Nusa Penida, Nusa Lembongan e Nusa Ceningan, tem 5 636,7 km². Em 2010 tinha 3 890 757 habitantes e estimava-se que 2015 tivesse 4 152 800 (densidade: 736,7 hab./km²). A capital provincial e maior cidade da ilha é Dempassar, situada sensivelmente a meio da costa sul.

Em Bali vive a maior parte da minoria hindu da Indonésia. Segundo o censo de 2010, 83,5% da população é hindu, 13,4% muçulmana, 2,5% cristã e 0,5% budista. A ilha é um destino turístico muito popular, mundialmente famoso. É conhecida pelas manifestações culturais de seu povo, como a dança, a escultura, a pintura, o trabalho em couro e metais e a música. Bali faz parte do Triângulo de Coral, uma área marítima de elevadíssima biodiversidade, onde se enco...Ler mais

Bali é uma ilha e província da Indonésia, situada na extremidade ocidental do arquipélago das Pequenas Ilhas da Sonda, entre as ilhas de Java (a oeste) e de Lomboque (a leste). A província, que inclui algumas pequenas ilhas próximas, nomeadamente Nusa Penida, Nusa Lembongan e Nusa Ceningan, tem 5 636,7 km². Em 2010 tinha 3 890 757 habitantes e estimava-se que 2015 tivesse 4 152 800 (densidade: 736,7 hab./km²). A capital provincial e maior cidade da ilha é Dempassar, situada sensivelmente a meio da costa sul.

Em Bali vive a maior parte da minoria hindu da Indonésia. Segundo o censo de 2010, 83,5% da população é hindu, 13,4% muçulmana, 2,5% cristã e 0,5% budista. A ilha é um destino turístico muito popular, mundialmente famoso. É conhecida pelas manifestações culturais de seu povo, como a dança, a escultura, a pintura, o trabalho em couro e metais e a música. Bali faz parte do Triângulo de Coral, uma área marítima de elevadíssima biodiversidade, onde se encontram mais de mais de 500 espécies de coral (76% do número conhecido mundialmente).[carece de fontes?] Em Bali encontra-se o sistema de irrigação subak, classificado como Património Mundial pela UNESCO.

Antiguidade e Idade Média

Bali foi povoada cerca de 2 000 a.C. por austronésios originários do Sudeste Asiático e da Oceânia através do Sudeste Asiático Marítimo.[1] Perto da aldeia de Cekik, na parte ocidental da ilha, foram encontradas ferramentas de pedra datadas dessa época.[2][3] Em termos culturais e linguísticos, os balineses estão estreitamente relacionados com os povos do arquipélago indonésio, Malásia, Filipinas e Oceânia.[4]

 Estátua de Kandapat Sari, uma divindade do hinduísmo balinês, em Semarapura, uma das povoações mais antigas do Bali, onde se considera que nasceu a cultura balinesa.

Na antiga Bali existiram nove seitas hindus — Pasupata, Bhairawa, Siwa Shidanta, Waisnawa, Bodha, Brahma, Resi, Sora e Ganapatya. Cada uma delas adorava uma divindade específica como o seu deus principal.[5] As inscrições conhecidas datadas do período entre 896 e 911 não mencionam qualquer rei. Outra, de 914, menciona o rei Sri Kesarivarma. Essas inscrições revelam um Bali independente, com um dialeto próprio, onde eram praticados simultaneamente o xivaísmo e o budismo. Mahendradatta (ou Gunapriyadharmapatni), a bisneta de Mpu Sindok, o último rei da dinastia Sanjaya do reino javanês de Matarão, casou-se com o rei do Bali Udayana Warmadewa (ou harmodaianavarmadeva) c. 989. Esse casamento intensificou o hinduísmo e a cultura javanesa em Bali. O filho de ambos, Airlangga (ou Erlangga; 1001–1049), fundou o efémero reino de Kahuripan, cujos territórios chegaram a se estender desde Java Central até ao Bali. Sabe-se da existência da princesa Sakalendukirana em 1098, do rei Suradhipa, que reinou em Bali entre 1115 e 1119 e Jayasakti (r. 1146–1150). O rei Jayapangus aparece em inscrições datadas do período 1178–1181; Adikuntiketana e o seu filho Paramesvara em inscrições de 1204.[6]

A cultura balinesa foi fortemente influenciada pelas culturas indiana, chinesa e em particular pela cultura hindu a partir do século I d.C. O nome Bali dwipa (ilha de Bali) foi descoberta em várias inscrições, incluindo a do pilar de Blanjong, gravada em 914 pelo rei do Bali Sri Kesari Warmadewa, que menciona Walidwipa. Foi durante esse período que foi desenvolvido complexo sistema de irrigação subak para cultivar arroz em campos alagados. Algumas tradições religiosas e culturais ainda praticadas atualmente têm a sua origem nesse período.

 O Pura (templo hindu) Maospahit, em Dempassar, construído quando Bali pertencia ao Império de Majapait

O Império de Majapait (1293–1520), de Java Oriental, fundou uma colónia em Bali em 1343. O tio de Hayam Wuruk, imperador de Majapait, é mencionado em registos de 1384–1386. No início do século XVI houve uma grande imigração javanesa para Bali, quando o Império de Majapait colapsou.[7] Depois disso, a ilha foi governada por vários reinos independentes, o que contribuiu para uma identidade nacional e a grandes avanços na cultura, artes e economia. A ilha só perdeu a sua independência em 1906, quando os holandeses subjugaram os nativos.

Contactos com portugueses

O primeiro contacto conhecido de europeus com Bali ocorreu em 1512, quando uma expedição portuguesa comandada por António de Abreu e Francisco Serrão avistaram a costa norte. Essa foi a primeira de uma série de viagens bianuais dos portugueses às ilhas Molucas, que ao longo do século XVI viajaram ao longo das costas do arquipélago da Sonda. Bali aparece também num mapa de 1512 da autoria de Francisco Rodrigues, um membro da expedição de António de Abreu.[a] Em 1585, um navio naufragou ao largo da península de Bukit, no extremo sul de Bali, o que originou que alguns portugueses tivessem ficado ao serviço do Deva Agung (título dos reis de Klungkung).[9]

Índias Orientais Holandesas
 Ver também: Índias Orientais Holandesas

Em 1597, o explorador holandês Cornelis de Houtman chegou a Bali. O governo holandês expandiu o seu controlo por todo o arquipélago indonésio durante a segunda metade do século XIX. O controlo político e económico de Bali por parte dos holandeses iniciou-se na década de 1840, na costa norte da ilha, quando os holandeses fomentaram os conflitos entre diversas entidades políticas balinesas. No final da década de 1890, as lutas entre os reinos do sul de Bali foram exploradas pelos holandeses para aumentar o seu controlo.[10]

 Gravura do rei balinês, o Dalem, no “livro Verhael vande Reyse […] Naer Oost Indien”, publicado em 1597 por Cornelis de Houtman Fotografia dos mortos no puputan (suicídio ritual) de 1906

Em junho de 1860, o famoso naturalista galês Alfred Russel Wallace viajou para Bali desde Singapura, desembarcando em Buleleng, na costa norte. Essa visita foi fundamental para o naturalista desenvolver a sua teoria da Linha de Wallace, a fronteira biogeográfica que passa entre Bali e Lomboque. Essa linha separa as espécies zoológicas de origem asiática (a oeste) das espécies de origem mista asiática e australiana (a leste). Nas suas memórias de viagem “The Malay Archipelago”, Wallace narra a sua experiência em Bali, nomeadamente dos métodos de irrigação únicos (subak):

“ Fiquei simultaneamente atónito de encantado; pois a minha visita a Java foi alguns depois, nunca tinha visto uma região tão bela e tão bem cultivada fora da Europa. Uma planície ligeiramente ondulada estende-se desde o litoral ao longo de 10 km para o interior, onde é delimitada por uma estreita faixa arborizada e cultivada. Casas e aldeias, marcadas por bosques densos de coqueiros, tamarindos e outras árvores de fruto, espalham-se em todas as direções.. Entre elas há extensos e luxuriantes campos de arroz, irrigados por um sistema elaborado que seria o orgulho das partes mais bem cultivadas da Europa. ”

Em 1906 os holandeses lançaram um assalto naval e terrestre de grande envergadura na região de Sanur onde foram confrontados por milhares de nativos liderados pela família real, que preferiram morrer num puputan (suicídio ritual) combatendo do que enfrentar a humilhação de uma rendição.[10] Apesar dos apelos à rendição feitos pelos holandeses, os balineses marcharam para a morte contra os invasores.[11] Na ocorreu outro massacre similar em Klungkung. Depois disso, os governadores holandeses passaram a exercer o controlo administrativo sobre a ilha, mas o controlo local sobre a cultura e religião geralmente permaneceu intacto. O domínio holandês em Bali chegou tarde e nunca chegou a ser tão bem estabelecido como noutras partes da Indonésia como Java e as Molucas.

Na década de 1930, os antropólogos Margaret Mead e Gregory Bateson, os artistas Miguel Covarrubias e Walter Spies, e o musicologista Colin McPhee passaram tempo em Bali. Os seus relatos da ilha e das suas gentes criaram uma imagem de Bali como "uma terra encantada de estetas em paz com eles próprios e com a natureza". Foi nessa altura que tursitas ocidentais começaram a visitar a ilha.[12]

 Estátua do herói nacional indonésio balinês I Gusti Ngurah Rai

O Japão ocupou o Bali durante a Segunda Guerra Mundial. Inicialmente, a ilha não era um alvo na campanha japonesa nas Índias Orientais Holandesas, mas devido ao facto das pistas de aviação do Bornéu terem ficado inoperacionais devido a fortes chuvadas, o exército japonês decidiu ocupar Bali, cujo clima era mais favorável. A ilha não tinha tropas regulares do Exército Real das Índias Orientais Holandesas (KNIL). Apenas dispunha de um Corpo de Tropas Auxiliares Prajoda (Korps Prajoda), formado por cerca de 600 soldados nativos e vários oficiais holandeses do KNIL sob o comando do tenente-coronel W. P. Roodenburg. A 19 de fevereiro de 1942, as forças japonesas desembarcaram perto de Senoer (Sanur) e tomaram rapidamente a ilha.[13]

Durante a ocupação japonesa, um oficial balinês, I Gusti Ngurah Rai formou um "exército livre" balinês. A dureza da ocupação japonesa causou mais ressentimento entre a população do que os governantes coloniais holandeses.[14] A seguir à rendição do Japão no Pacífico em agosto de 1945, os holandeses retomaram a administração colonial da Indonésia, incluindo Bali. Enfrentaram a resistência dos rebeldes, que usavam armas capturadas aos japoneses. Em 20 de novembro de 1946, foi travada a batalha de Marga, em Tabanan, no centro de Bali. O coronel I Gusti Ngurah Rai, então com 29 anos, reuniu as suas tropas no leste da ilha em Marga Rana, onde lançaram um ataque suicida sobre as tropas holandesas fortemente armadas. O batalhão balinês foi completamente desbaratado, acabando com o última réstia de resistência militar balinesa.

Independência e pós-independência  Mapa dos reinos balineses durante a Revolução Nacional Indonésia (1945–1946)

Em 1946, os holandeses constituíram o Bali como um dos 13 distritos administrativos do recém-proclamado Estado da Indonésia Oriental, rival da República da Indonésia, proclamada e liderada por Sukarno e Mohammad Hatta. O Bali foi incluído na "República dos Estados Unidos da Indonésia" quando os Países Baixos reconheceram a independência indonésia em 29 de dezembro de 1949.

Em 1963, a erupção vulcânica do monte Agung causou milhares de vítimas mortais, provocou o caos económico e forçou à deslocação de muitos balineses para outras partes da Indonésia. Da mesma forma que no resto do país, houve conflitos em Bali devido ao alargamento das divisões sociais, nomeadamente entre os apoiantes do sistema tradicional de castas e os que se lhe opunham. Politicamente, esse confronto foi protagonizado por apoiantes do Partido Comunista da Indonésia (PKI) e do Partido Nacional Indonésio (PNI). As reformas agrárias promovidas pelo PKI aumentaram ainda mais as tensões.[10]

O exército tornou-se o poder dominante e instigou uma violenta purga anti-comunista, na sequência da tentativa falhada de golpe de estado em 30 de setembro de 1965, que foi atribuído ao PKI. Muitas estimativas sugerem que foram mortas mais de 500 000 pessoas em toda Indonésia, 80 000 delas em Bali, o que equivale a 5% da população da ilha.[10][12] Sem forças islâmicas envolvidas, como em Java e Sumatra, os proprietários de terras de castas altas do PNI levaram a matanças em massa de membros do PKI.[15]

 Monumento às vítimas do atentado terrorista de 2002 em Kuta

Na sequência dos tumultos de 1965–1966, Suharto logrou afastar Sukarno da presidência. O regime instaurado por Suharto, auto intitulado "Nova Ordem", restabeleceu as relações com os países ocidentais e o "paraíso" de Bali de antes da guerra foi reavivado de forma moderna. O grande crescimento turístico originou um crescimento dramático dos padrões de vida em Bali e o afluxo considerável de divisas para o país.[10]

Em 12 de outubro de 2002, um atentado terrorista à bomba em Kuta matou 202 pessoas, a maior parte delas turistas. Em 2005 ocorreu outro atentado, também perto de Kuta, no qual morreram 20 pessoas. Estes atentados fizeram diminuir severamente o turismo, com consequências muito negativas para a economia da ilha.[carece de fontes?]

Taylor 2003, pp. 5, 7. Taylor 2003, pp. 12. Greenway et al. 1999, p. 15 Hinzler 1995, pp. 24–25. Erro de citação: Etiqueta <ref> inválida; não foi fornecido texto para as refs de nome jkp1 Cœdès 1968, pp. 129,144,168,180. Cœdès 1968, pp. 234,240. Cortesão 1975, p. 288. Hanna 2004, p. 32. a b c d e Vickers 1995, p. 26–35. Haer 2001, p. 38. a b Friend 2003, p. 111. Erro de citação: Etiqueta <ref> inválida; não foi fornecido texto para as refs de nome klem Haer 2001, pp. 39–40. Ricklefs 1993, p. 289.


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